
Temperos da vida
(Por Daiana Ruff*). <!--[if !supportEmptyParas]--> Sábado. 11 horas. Silêncio na casa. Cada um no seu canto, nos seus afazeres... 11 horas e 15 minutos. Um chiado vem da cozinha. O feijão ganha corpo e o louro toma conta dos ambientes. Um toque de orégano e a lasanha fica no ponto. Limão, cebola e pimenta completam o cebiche. Um pouco mais de açúcar e está pronta a cuca de uva. Um toque de canela completa o mel do melomakárono. 11 horas e 45 minutos. A sala de jantar, que estava branca e vazia, começa a ganha cor e, o cardápio, mais sabor. O feijão preto na tigela amarela. A lasanha encorpada na travessa de porcelana. O cebiche colorido no refratário transparente. A cuca de uva no cristal redondo. O melomakárono em pratinhos brilhantes. E, no centro da mesa, dois delicados lírios em vidro delgado. 12 horas. Chega o momento esperado. O paladar toma conta de todos e inicia a agradável troca de histórias, favores e aprendizado. “Passa o sal, por favor” – “Já está na mão” – “Muito obrigado” - “Está gostando mais das aulas?” - “Agora sim, acho que descobri um talento”... Olfato, cor e sabor unidos na importante missão de confluir gerações. Momento de alimentar o corpo e a alma. E tudo em volta de uma mesa apetitosa. Seja brasileira, italiana, peruana, alemã ou grega, a culinária identifica fortemente um povo e conecta especialmente uma família. E, assim como a comida, a vida precisa de um pouco de sal para ganhar sabor. * Acadêmica de Jornalismo
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