
Educação Hoje
CENTRO CULTURAL PORTO BELO SOCIEDADE MULTIMIDIA: A INFLUÊNCIA DA TELEVISÃO NA VIDA EM FAMÍLIA Jamille Moraes Mariana Aziz Rached Patrícia Iglesias Porto Alegre 2007 1. INTRODUÇÃO
arte de educar exige cada vez mais dos pais e educadores um domínio do mundo que os cerca, uma compreensão mais efetiva dos fatos que ocorrem e que influenciam o comportamento familiar. A televisão, esse utensílio destinado ao entretenimento e informação, desde sua criação por Joh Baird em 1962, foi tornando-se indispensável nos lares e em quase todas as instituições de nações e continentes. A televisão é um bem durável, como a geladeira e o fogão, sendo o eletroeletrônico mais adquirido nos últimos anos pelos brasileiros; em 1999, 87,8% dos domicílios possuíam televisão, perdendo apenas para o rádio, que estava em 89,9% das residências. Esta situação começou a ser modificada em 2001, quando o percentual de moradias com televisão (89%) ultrapassou o de habitações com rádio (88%), e que se manteve no Censo do IBGE de 2005, no qual a televisão estava presente em 91,4% dos lares brasileiros. A televisão é um meio de comunicação importante e não indispensável. Ao adquirirmos, por ela, informações que enriquecem o cotidiano, pode influir negativa ou positivamente na vida de cada indivíduo. Costuma-se trocar facilmente um livro por um programa interessante da televisão. Ela é considerada, na maioria dos lares, ponto de referência obrigatório na organização da vida familiar, e é a partir dela que as famílias organizam muitas vezes o seu dia e seus horários. A mídia vem assumindo funções antes desempenhadas apenas por famílias e educadores, sem que esteja preparada para lidar com este desafio gigantesco. As crianças e adolescente gastam várias horas por dia em frente a um aparelho de televisão ou navegando pela internet, geralmente em programas e páginas voltadas para o público adulto. Pensando no papel social da televisão e a sua participação nas nossas vidas, desenvolveremos este estudo sobre A Influência da Televisão na Vida em Família. Para a presente pesquisa, foram estabelecidos os seguintes objetivos: - Identificar alguns indicadores da influência da televisão sobre o comportamento dos pais e dos filhos. - Identificar a importância do papel da família na mediação entre a televisão e a formação das crianças. Assim esta pesquisa procura contribuir para um repensar de como a televisão está influenciando a vida das famílias e de que maneira os valores que a família assume estão relacionados e influenciados pela sociedade multimídia. 2. LAZER E COMPROMISSO - A INFLUÊNCIA DA TELEVISÃO SOBRE A FAMILIA A rotina dos filhos na ausência dos pais é geralmente condicionada aos programas televisivos, pois os vêem como uma das melhores formas de entretenimento e, também, uma forma de saber de assuntos que talvez em casa não são conversados, mas que tem grande repercussão no grupo de amigos, na escola, entre outros. Muitas crianças também imitam atitudes de alguns personagens televisivos, e isso pode acarretar comportamentos agressivos, como o caso de reprodução das lutas de super-heróis. A televisão torna-se uma referência de comportamento criando modas e estilos de vida algumas vezes inconvenientes na formação da personalidade e do carácter. No entanto a presença dos pais diante da televisão é uma oportunidade para os filhos esclarecerem certas dúvidas que os inquietam, e que os deixam seguros por estarem esclarecidos pelos seus pais além de ajudá-los a desenvolverem um senso crítico no momento em que vejam oportuno selecionar os programas que são transmitidos, como afirma a médica Mannoun Chimelli: “Penso que assim devem ser os programas numa família: assistidos por todos em casa e comentados, avaliando-os, discutindo-os, aprendendo: sim, não, por quê. Isto é educar. Nisto consiste a formação humana autêntica, pessoal, firme.” (2002, p. 59). A televisão caso não seja controlada pelos pais passa a ser também indispensável comprometendo assim um relacionamento prazeroso e amigável, de respeito ao outro membro da família, caso esteja presente, como expectador da televisão, impedindo um diálogo em que se dividem experiências pessoais como alegrias, tristezas, novidades da escola, dos esportes, dos amigos, entre outros. Porém o que faz a TV nesse momento fraterno é despertar a atenção às imagens e desconsiderar quem está ao nosso lado, reforçando, conseqüentemente, um grande egoísmo que, por mais que não seja desejado, é conduzido discretamente por esse meio de comunicação. 3. A FAMILIA E O CONSUMISMO A quantidade de informações que chega à nossa casa e a invasão das diversas mídias a que podemos estar expostos diariamente, não poderia dar outro resultado para as famílias senão o do consumismo de seus filhos, que impõem seus desejos sugeridos pela mídia acarretando uma pressão aos pais. O papel dos pais diante da atração das imagens de diversos produtos ofertados pela propaganda deve ser contornado com muita prudência, porque não convém acreditar que certas mercadorias garantirão a felicidade de seus filhos mesmo que não seja um absurdo tê-las. Nesse instante é necessário refletirem, pais e filhos, como e por que determinado produto seria importante para a pessoa. Buscando assim saber e comprovar se realmente torna-se essencial possuir o que se quer. Como exemplo desse modo se agir Chimelle em seu livro Família e Televisão ressalta o que disse Souza, roteirista de um programa infantil brasileiro. “Fora algumas exceções, eu acho que os programas infantis de TV estão roubando o doce das (crianças), fabricando consumidores compulsivos, pessoas frustradas por não poderem ter todos os produtos que “tornam a vida boa de ser vivida”“. (2002.p 17) A atenção da família nesses momentos vale a pena, pois consiste em uma necessidade de formação, sendo realmente o que os filhos esperam de acordo com as próprias exigências dos pais. Trata-se de uma segurança para os filhos saberem o que é importante, essencial e necessário para constituir uma vida feliz. 4. A TELEVISÃO E O BEM-ESTAR A família é a razão de ser da sociedade, assim, a sociedade existe porque existem as famílias. Desta forma, é no núcleo familiar que se aprende e se constroem valores, virtudes e como vivenciá-los na prática do cotidiano. Na família o indivíduo forma a consciência, educa-se a inteligência e a vontade, exercitando diariamente o amor, o carinho, a segurança, os limites, formação de hábitos e a convivência entre outros. Também é na família que se aprende e se desenvolve o bem-estar, que são necessidades básicas do ser humano, como: alimentação, moradia, vestuário, estudos, lazer, diversão entre outros. A autora Chimelli afirma:
“Educar é formar a pessoa toda, não apenas informar sua inteligência, como tantas vezes se pensa pelo menos na prática. Já dizia Montaigne que construir um homem, formar uma pessoa” é dar-lhe uma cabeça bem feita (bem arrumada) antes que uma bem cheia “... É preciso perguntar-se habitualmente: que fazer com essa enxurrada de informações que hoje nos são passadas pelos meios de comunicação? Estarão todas as informações realmente tornando o homem melhor, ajudando-o a ser mais feliz?” (2002, pg. 49).
Como já foi dito anteriormente, toda família tem uma televisão em casa, normalmente na sala, lugar que se intitula de convívio familiar ou lazer familiar, mas será que o é? A televisão transmite um tipo de bem-estar, um lazer ou uma diversão passiva, onde se recebe informações sem, pensar muito bem no que se apreende pelos sentidos envolvidos nesta atividade. A TV instaura um modelo de bem-estar, chamado também de felicidade, criando padrões de comportamento, beleza, de relacionamento social e o consumismo desenfreado. “... A TV pode ser o que ela é, ou seja, um entretenimento. Entretanto, quando começa a invadir a vida familiar de tal forma que se torna o único meio de diversão, pode ser um problema. Afinal, se entre brincar com os amigos ou estar com os familiares, a televisão é mais interessante, ou há um problema com os amigos e familiares ou com a criança... “ (2007, Portal da Família). Deste modo, cabe à família definir o que lhe é prioridade; ficar em frente de um televisor recebendo informações passivamente, concordando com tudo, esquecendo as relações familiares, o diálogo e o convívio familiar, ou escolher e determinar o que se vê, como se vê e como os valores são transmitidos e na sua família 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando a família como o principal alicerce para o aperfeiçoamento das relações humanas e sociais e sendo ela um referencial para consulta e forma de vida prática, diante da busca pelo conhecimento que vamos formando ao longo de nossos dias a partir das muitas informações que recebemos, torna-se essencial defendê-la e valorizá-la. A televisão como transmissora e formadora junto à família serve-se de muitas imagens, conceitos e informações no desenvolvimento de cidadãos. Uma vez que não mede, ou desconsidera o seu grau de influência transforma-se em um instrumento ruim na vida familiar, comprometendo toda a sua estrutura funcional. Assim sendo, constatamos que a família, através do diálogo, da orientação e da formação dos filhos, pode, juntamente à televisão, proporcionar momentos de verdadeira aprendizagem e de formação do caráter e da personalidade na construção de uma sociedade não somente multimídia, ou seja, não deixar que esse meio de comunicação substitua o convívio familiar, tendo como conseqüência a valorização do ser humano não como algo, mas como pessoa digna, responsável e madura. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHIMELLE, M. Família e Televisão. Quadrante. São Paulo, 2002 MARQUEZ, A. A Televisão também influencia você. Revista Ser Família edição numero 1. São Paulo, 2006. www.acea.org.br/ www.portaldafamilia.org/sccurious/pf_curious.shtml
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