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A QUARENTONA QUE NÃO CONHECE CHIMARRÃO

No mesmo ano em que Neil Armstrong anunciou o grande passo para a humanidade, dois computadores na UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles) trocam dados sem sentido no primeiro teste da Arpanet, uma rede militar experimental. Uma das primeiras palavras a serem  digitadas foi, depois de muitas interrupções, “logon”. Esses foram os embriões da quarentona Internet que ocupa, com cada dia mais intensidade, as horas da nossa rotina.

Se a rede social Facebook fosse um país, ele seria a quarta nação mais populosa do mundo. Viver hoje sem a presença de ferramentas como essa, disponíveis através da rede, seria, para muitos, impensável. A World Wide Web diminui as distâncias, acelera a divulgação de idéias e facilita o comércio de produtos. Isso todo mundo já entendeu. Mas naquele 2 de setembro de 1969, as 20 pessoas reunidas no Laboratório da UCLA não tinham bola de cristal para ver que, 40 anos depois, pais e filhos poderiam conversar – ao vivo e a cores - graças a uma Web Cam, ou que um estudante australiano compraria livros de uma editora Uruguaia através de um site holandês.

Isso é só a ponta do Iceberg. Certamente muita gente elegeria a Internet como uma das sete maravilhas do mundo contemporâneo, principalmente depois de alcançada a sua onipresença devido à revolucionária Wireless, tecnologia que possibilita o acesso à rede em qualquer espaço, sem o incômodo dos cabos e fios.

Mas a Internet não está livre da crise de meia idade. Especialistas prevêem barreiras artificiais que ameaçam a continuidade do seu crescimento. A troca de informações é realizada de forma tão desenfreada, que vem favorecendo, cada vez mais, a atuação de hackers e contribuindo para atividades como a pirataria. Empresas como o Google e a Apple se impõem como gigantes no mercado mundial, porque a Internet lhes possibilita – e lhes favorece – uma expansão que não conhece limites nem fronteiras. Googlemaps, Gmail e IPhone são algumas palavras presentes na boquinha daqueles que nem sequer alcançam a altura do teclado.

Além disso, os famosos “bate papo” que não têm hora pra acabar e que não conhecem olhos e sorrisos (nem nacionalidades), podem comprometer as relações humanas. O virtual da Web não substitui o contato real entre as pessoas. Todo mundo também já entendeu que uma boa amizade não depende necessariamente de bits pra começar e se fortalecer.  Se a Internet pode trazer o mundo pra dentro de casa, ela não conhece o valor (muito menos o sabor) de uma boa roda de chimarrão, essa sim ao vivo e a cores.

                                                                                                                      Maria Elisa Lisbôa

 

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